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Sindroma de Alcoolismo Fetal 

Por ano nascem na Suíça cerca de 250 bebés portadores de lesões derivadas do álcool.

Este facto ainda que esteja cientificamente provado, ainda não é do conhecimento geral; considera-se que é mais fácil ignorá-lo ou minimizá-lo, que admiti-lo. Agora o Instituto Suíço para a prevenção do alcoolismo e outras toxico-dependências (ISPA) decidiu-se a informar o público, pois as deformações à nascença, frequentemente muito graves, poderiam ser evitadas.

O álcool ingerido pela grávida é inevitavelmente absorvido pelo organismo do bebé em gestação através do sistema circulatório. Se uma mãe bebe muito, o mesmo acontece com o seu bebé. Se ele beber com regularidade, a criança estará constantemente sob a influência do álcool.

Como o feto não possui ainda mecanismos de defesa, o álcool pode impedir o seu desenvolvimento por diversas maneiras: pelo retardamento do crescimento, provocando lesões cerebrais e mal-formações físicas ou orgânicas. A sua gravidez depende de vários factores: a duração do tempo em que a mãe bebeu, os seus hábitos de beber, a quantidade de álcool absorvida e a forma como o seu metabolismo elimina o álcool.

Nos últimos 30 anos este problema tem sido conhecido nos meios científico e médico como "Síndroma de Alcoolismo Fetal" (SAF). Apesar disso, ele é desconhecido do público em geral por se recear que, quando as grávidas fossem postas ao corrente dos factos, elas iriam encarar a sua gravidez com medo em vez de alegria. E o que é mais, o SAF o considerado como sendo um problema de apenas uma minoria específica das mulheres.

Todavia, para os especialistas em prevenção, este problema diz respeito a todos, incluindo homens que frequentemente, pelo seu exemplo, encorajam as suas esposas a beberem apesar da sua gravidez tornando-se-lhes difícil o abandonarem a bebida, os amigos conhecidos, a sociedade no geral compartilham esta responsabilidade; ao condenarem o alcoolismo nas mulheres eles só estão encorajando-as a beber às escondidas.

O ISPA, baseado em pesquisas levadas a cabo noutros países, chegou à conclusão de que na Suíça (população total: 6,5 milhões) uma criança em cada 200 ou 300 exibe lesões de nascença devidas ao álcool. E mesmo assim este assunto é ainda "tabu", largamente ignorado tanto pelo público como por círculos especializados. É claro que toda a mulher sabe que beber durante a gravidez é perigoso para o bebé, mas no geral desconhece até que ponto, e em que quantidade. É assim que, ano após ano, sem querer e geralmente sem intencionalidade, mulheres dão à luz bebés sofrendo de SAF, crianças que evidenciam sintomas de graves anomalias, por vezes irreparáveis, que as vão acompanhar por toda a sua vida. E o ainda é mais perturbador é sabermos que essas malformações poderiam ter sido evitadas.

Estes bebés nascem subdesenvolvidos e com peso abaixo do normal. Nos casos mais graves eles sofrem de problemas físicos e orgânicos tais como malformações do coração, olhos, dedos ou dos órgãos genitais externos. Uma cabeça pequena e certos traços faciais são característicos: pequenas cavidades oculares, nariz pequeno e achatado, lábio superior achatado e estreito. Apresentam perturbações do seu comportamento, tais como hiperactividade, dificuldades de linguagem e de aprendizagem, descoordenação de movimentos, desenvolvimento emocional retardado e atraso mental. Os sintomas da SAF tanto podem ser ligeiros como extremamente sérios. Variam desde a falta de capacidade de concentração, o que se torna evidente na idade escolar, até às dramáticas malformações e anomalias acima mencionadas. Muitas crianças são mais ou menos atrasadas no seu desenvolvimento físico e mental; outras mostram desarranjos mentais ou de comportamento.

À medida que as crianças crescem, a maior parte das anomalias externas desaparecem. Contudo, as deficiências mentais subsistem na maioria dos casos. Estudos demorados cobrindo o período do nascimento à adolescência e levados a cabo em crianças que sofrem do SAF provam os factos expostos. Dez anos mais tarde, dois terços das crianças estavam atrasadas ou eram deficientes mentais. Mais de 80% não conseguiram completar a escolaridade.

Pesquisas europeias parecem indicar que uma grávida poderá, quando muito beber uma bebida "normal" por dia, ou seja 1dl de vinho ou 3dl de cerveja. Um copo a mais já pode ter efeitos graves no bebé.

Estudos em larga escala levados a cabo nos Estados Unidos, com mulheres que continuaram a beber "normalmente" durante a gravidez i.e. 29g de álcool puro por dia, o equivalente a 2 1/2 dl de vinho, provaram que o QI das suas crianças era, em média, 7 pontos abaixo do normal. E não devemos esquecer que a inteligência é apenas uma das múltiplas funções do cérebro.

As crianças que são mais severamente afectadas são evidentemente os filhos de mães alcoólicas, mas um exagero na bebida, mesmo ocasional, expõe subitamente o feto a uma alta concentração de álcool e, também isso, pode ser perigoso.

Contudo, a quantidade de álcool consumida pela mãe não é o único factor decisivo que determina o efeito do álcool na criança; a tolerância individual da mãe e da criança também tem um papel importante. Consequentemente não é possível estipular qual a quantidade que a mãe pode beber sem provocar danos ao nascituro.

Em termos gerais, o álcool é um veneno para o nascituro e muitos especialistas, como precaução, recomendam abstinência total durante a gravidez. Também as mulheres que desejam ter um filho devem ser cuidadosas pois só virão a saber da sua gravidez umas semanas depois da concepção.

Há alguma cura possível para as crianças afectadas pelo SAF? A resposta é: NÃO! É verdade que certas malformações podem ser corrigidas ou reduzidas, mas para o atraso no desenvolvimento não existe tratamento médico.

Felizmente, ao tempo do nascimento muito órgãos ainda não estão completamente desenvolvidos; isto é especialmente verdade no caso do cérebro, e através da estimulação podem-se obter melhorias espectaculares, mesmo nos casos em que a cura completa é impossível.

In "Info" da Federação Internacional da Cruz Azul


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