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O Alcoolismo Feminino I
A Revista Evangélica
Novas de Alegria, publicou um excelente artigo,
sobre este assunto, que tomamos a liberdade de
transcrever alguns excertos, pelo valor do seu
conteúdo.
Flagelo social
instalado com o seu cortejo enorme de consequências
graves, o alcoolismo define-se como uma doença
provocada pelo consumo excessivo e prolongado de
bebidas alcoólicas. Oito por cento da população
portuguesa, de acordo com os números oficiais, sofre
desta doença.
Catalogam-nas como
grupo de muito alto risco. As mulheres
alcoólicas são cada vez mais em Portugal. Mais de
300 mil, segundo as estatísticas oficiais. A grande
maioria bebe às escondidas, procura disfarçar os
efeitos do álcool e por isso escapa às estatísticas.
Trata-se de um
gravíssimo problema de saúde pública, alerta a
Dr.ª Odília Castelão, psiquiatra que, desde há
longos anos, se dedica ao tratamento da doença,
exercendo o cargo de directora do Centro António
Flores, organismo de combate ao alcoolismo.
Portugal é um país
alcoolizante
– diz-me a Dr.ª Odília Castelão. Fala no presente do
indicativo e não está a referir-se necessariamente
ao inacreditável slogan salazarista de que
beber vinho é
dar de comer a um milhão de portugueses.
A psiquiatra, que
todos os dias lida com a degradação causada pelo
álcool nos pacientes que lhe passam pelo
consultório, decompõe a afirmação: elevada produção
vinícola, baixo preço das bebidas, hábitos culturais
que levam ao consumo fácil, falta de legislação que
promova a redução da oferta desincentive a procura e
claro, as causas sociais e psicológicas que empurram
para a segregação.
O problema do
alcoolismo, visto na sua globalidade, é
extraordinariamente perturbador. Morre muita gente.
Doentes e suas vítimas: milhares agonizam e morrem
com cirrose hepática; morrem aos milhares nas
estradas e também em acidentes de trabalho.
E há muito mais: é a
degradação psicológica que conduz ao suicídio; é a
degradação da família; são as deformações físicas,
como a cegueira; são os défices intelectuais e
morais com graves repercussões na sociedade.
Estatísticas assustadoras
Outra área, que
também exprime sem equívoco a obra do álcool: as
prisões e o crime. Um estudo levado a cabo por uma
psiquiatra em parceria com a advogada Carminda
Canha, informa-nos que, mais de 50 por cento,
cometeram crimes directa ou indirectamente
influenciados pelo álcool.
A frieza dos números
é esclarecedora: na amostra, 44,2 por cento
praticaram homicídio; 37,2 por cento, foram
condenados por furtos, 4,6 por cento por fogo posto,
2,6 por cento por roubo e 1,4 por cento por
violação. Todos alcoólicos.
Este país, que produz
anualmente mais de oito milhões de hectolitros de
vinho, onde se fazem apetecer, com anúncios
divulgados nos meios de comunicação em horários
nobres, bebidas de alto teor alcoólico, onde se
multiplicam as marcas de cerveja, onde já se chegou
a implantar a ideia de que o álcool é um alimento,
ideia repudiada no mais importante Congresso Mundial
sobre o alcoolismo realizado em França, onde se
morre mais do que em qualquer outra parte do mundo,
por cirrose hepática.
Entretanto, as
notícias policiais sobre o combate à droga dão
frequentes primeiras páginas dos jornais. Por seu
lado, a Dr.ª Odília Castelão considera que o
alcoolismo crescente é
preocupante e um grave
problema de saúde pública que urge enfrentar com
realismo.
Mas as crianças...
Mas o aspecto do
alcoolismo que se apresenta mais dramático prende-se
com crianças filhos de pais alcoólicos: nascem
marcados física e psiquicamente, muitas vezes sem
remédio de recuperação ao longo de toda a vida.
A Dr.ª Odília
Castelão é peremptória: a mulher, quando grávida,
não pode tomar bebidas alcoólicas. Corre o risco
de lesar os filhos de formas odiadas. Na
verdade, o efeito tóxico do álcool sobre o embrião e
o feto provoca a deformação dos ossos da cara, do
crânio, dos membros, origina malformações cardíacas
e vasculares, além de provocar deficiências mentais
graves, com alterações comportamentais e convulsões.
É aquilo a que, em linguagem científica, se chama o
síndroma
alcoólico fetal.
A mulher alcoólica,
que normalmente bebe na clandestinidade, segundo nos
revelou a Dr.ª Odília Castelão, começa a perder
certos tabus e felizmente, já procura mais a
consulta.
Imagens sinistra
A maioria das
escravas do álcool submeteram-se como se lhes
prometesse a liberdade das frustrações, das
angústias e dos medos próprios de uma sociedade de
domínios asfixiantes das necessidades de realização
pessoal. A imagem do alcoolismo feminino é ainda
mais sinistra do que a dos homens e o dito popular
exprime-o muito bem:
Um homem atrapalhado é
pior do que uma mulher bêbeda.
Entretanto, hoje, a
mulher já é vista frequentemente, num bar ou num
outro qualquer local público, ombreando com o homem,
de copo na mão. Situação que era escandalosa
há uns anos atrás. Deixou a clandestinidade para
beber? Ou segue a moda dominante?
Certo é que, na
exigência participada da vida contemporânea da
mulher, têm sido acrescidos os problemas sociais que
sobre ela se exercem. Lado a lado com os homens nos
mais diversos domínios da actividade humana,
faltou-lhe a originalidade feminina na fuga ou
resposta ao stress quotidiano quando pega no
copo para
esquecer.
O alcoólico, afirmam
os especialistas, exige uma notável capacidade de
proselitismo. Como verdadeiro toxicómano que é,
esforça-se para que os outros o sigam nos seus
hábitos e o acompanhem na transgressão. A fuga à
solidão, que poderá ser consubstanciada no gesto
patético de brincar com a garrafa.
Entretanto, o
alcoolismo cresce. Muita gente não o reconhece como
uma doença, a começar pelas vítimas. A cura só é
possível em regime de contrato: o tratamento só pode
ser feito com a colaboração do doente.
Meira da Cunha
In " Novas de Alegria "
O síndroma do alcoolismo fetal
Este artigo foi
publicado na revista "Info" da Federação
Internacional da Cruz Azul, o qual tomamos a
liberdade de transcrever.
Por ano nascem na
Suíça cerca de 250 bebés portadores de lesões
derivadas ao álcool.
Este facto ainda que
esteja cientificamente provado, ainda não é do
conhecimento geral; considera-se que é mais fácil
ignorá-lo ou minimizá-lo, que admiti-lo.
Agora, o Instituto
Suíço para a prevenção do alcoolismo e outras
toxico-dependências (ISPA) decidiu-se a informar o
público, pois as deformações à nascença,
frequentemente muito graves, poderiam ser evitadas.
O álcool ingerido
pela grávida é inevitavelmente absorvido pelo
organismo do bebé em gestação através do sistema
circulatório. Se uma mãe bebe muito, o mesmo
acontece com o seu bebé. Se ele beber com
regularidade, a criança estará constantemente sob a
influência do álcool.
Como o feto não
possui ainda um mecanismo de defesa, o álcool pode
impedir o seu desenvolvimento de diversas maneiras:
pelo retardamento do crescimento, provocando lesões
cerebrais e mal-formações físicas ou orgânicas. A
sua gravidez depende de vários factores: a duração
do tempo em que a mãe bebeu, os seus hábitos de
beber, a quantidade de álcool absorvida e a forma
como o seu metabolismo elimina o álcool.
Nos últimos 30 anos
este problema tem sido conhecido nos meios
científico e médico como "Síndroma de Alcoolismo
Fetal" (SAF). Apesar disso, ele é desconhecido do
público em geral por se recear que, quando as
grávidas fossem postas ao corrente dos factos, elas
iriam encarar a sua gravidez com medo em vez de
alegria. Além disso, o SAF é considerado como sendo
um problema de apenas uma minoria específica das
mulheres.
Todavia, para os
especialistas em prevenção, este problema diz
respeito a todos, incluindo homens que
frequentemente, pelo seu exemplo, encorajam as suas
esposas a beberem apesar da sua gravidez
tornando-se-lhes difícil abandonarem a bebida, os
amigos conhecidos, a sociedade no geral compartilham
esta responsabilidade; ao condenarem o alcoolismo
nas mulheres eles só estão encorajando-as a beber às
escondidas.
O ISPA, baseado em
pesquisas levadas a cabo noutros países, chegou à
conclusão de que na Suíça (população total: 6,5
milhões) uma criança em cada 200 ou 300 exibe lesões
de nascença devidas ao álcool. E mesmo assim este
assunto é ainda "tabu", largamente ignorado tanto
pelo público como por círculos especializados. É
claro que toda a mulher sabe que beber durante a
gravidez é perigoso para o bebé, mas no geral
desconhece até que ponto e em que quantidade. É
assim que, ano após ano, sem querer e geralmente sem
intencionalidade, mulheres dão à luz bebés sofrendo
de SAF, crianças que evidenciam sintomas de graves
anomalias, por vezes irreparáveis, que as vão
acompanhar por toda a sua vida. E ainda o que é mais
perturbador, é sabermos que essas malformações
poderiam ter sido evitadas.
Estes bebés nascem
subdesenvolvidos e com peso abaixo do normal. Nos
casos mais graves eles sofrem de problemas físicos e
orgânicos tais como malformações do coração, olhos,
dedos ou dos órgãos genitais externos. Uma cabeça
pequena e certos traços faciais são característicos:
pequenas cavidades oculares, nariz pequeno e
achatado, lábio superior achatado e estreito.
Apresentam perturbações do seu comportamento, tais
como hiperactividade, dificuldades de linguagem e de
aprendizagem, descoordenação de movimentos,
desenvolvimento emocional retardado e atraso mental.
Os sintomas da SAF tanto podem ser ligeiros como
extremamente sérios. Variam desde a falta de
capacidade de concentração, o que se torna evidente
na idade escolar, às dramáticas malformações e
anomalias acima mencionadas. Muitas crianças são
mais ou menos atrasadas no seu desenvolvimento
físico e mental; outras mostram desarranjos mentais
ou de comportamento.
À medida que as
crianças crescem, a maior parte das anomalias
externas desaparecem. Contudo, as deficiências
mentais subsistem na maioria dos casos. Estudos
demorados cobrindo o período do nascimento à
adolescência e levados a cabo em crianças que sofrem
do SAF provam os factos expostos. Dez anos mais
tarde, dois terços das crianças estavam atrasadas ou
eram deficientes mentais. Mais de 80% não
conseguiram completar a escolaridade.
Pesquisas europeias
parecem indicar que uma grávida poderá, quando muito
beber uma bebida "normal" por dia, ou seja 1dl de
vinho ou 3dl de cerveja. Um copo a mais já pode ter
efeitos graves no bebé.
Estudos em larga
escala levados a cabo nos Estados Unidos, com
mulheres que continuaram a beber "normalmente"
durante a gravidez, isto é, 29g de álcool puro por
dia, o equivalente a 2,5 dl de vinho, provaram que o
QI das suas crianças era, em média, 7 pontos abaixo
do normal. E não devemos esquecer que a inteligência
é apenas uma das múltiplas funções do cérebro.
As crianças que são
mais severamente afectadas são evidentemente os
filhos de mães alcoólicas, mas um exagero na bebida,
mesmo ocasional, expõe subitamente o feto a uma alta
concentração de álcool e também isso, pode ser
perigoso.
Contudo, a quantidade
de álcool consumida pela mãe não é o único factor
decisivo que determina o efeito do álcool na
criança; a tolerância individual da mãe e da criança
também têm um papel importante. Consequentemente,
não é possível estipular qual a quantidade que a mãe
pode beber sem provocar danos ao nascituro.
Em termos gerais, o
álcool é um veneno para o nascituro e muitos
especialistas, como precaução, recomendam
abstinência total durante a gravidez. Também as
mulheres que desejam ter um filho devem ser
cuidadosas pois só virão a saber da sua gravidez
umas semanas depois da concepção.
Há alguma cura
possível para as crianças afectadas pelo SAF?
Infelizmente a resposta é NÃO! É verdade que certas
malformações podem ser corrigidas ou reduzidas, mas
para o atraso no desenvolvimento não existe
tratamento médico.
Felizmente, ao tempo
do nascimento muito órgãos ainda não estão
completamente desenvolvidos; isto é especialmente
verdade no caso do cérebro e através da estimulação
podem-se obter melhorias espectaculares, mesmo nos
casos em que a cura completa é impossível.
In "Info" da
Federação Internacional da Cruz Azul
A mulher Alcoólica
O alcoolismo feminino
é um dos problemas mais cuidadosamente ocultados,
por causa da condenação social que recai sobre ele.
As grandes bebedoras são objecto de maior desprezo,
comparativamente ao homem.
Estas são
consideradas pessoas irresponsáveis, perturbadas que
provocam a sua própria ruína e consequentemente da
sua família consequentemente, as mulheres não se
querem identificar como alcoólicas e além disso os
seus familiares incentivam-nas a ocultar a situação
para salvar a reputação. Com frequência, as famílias
resistem a aceitar esta realidade; com efeito não
agrada a ninguém saber que a mão que embala o bebé,
é uma mão trémula.
Esta forma consciente
ou inconsciente em reconhecer o alcoolismo feminino
faz com que as mulheres careçam de estímulo para se
tratarem. Inclusivamente, alguns médicos e
psiquiatras não chegam a reconhecer o alcoolismo nas
mulheres. Assim, ao não interpretar correctamente os
sintomas, são prescritos tranquilizantes que por sua
vez, causam uma maior dependência e ainda mais
perigosa.
As causas do
alcoolismo na mulher são muito variadas. Nos Estados
Unidos, o tipo da mulher alcoólica corresponde às
mulheres na casa dos quarenta anos, casadas e com
dois ou três filhos. Cerca de 15% das donas de casa
dependem do álcool ou de drogas até ao seu oitavo
ano de casamento. É evidente que o hábito de beber
começa, normalmente nas reuniões "sociais", mas
rapidamente se descobrem os efeitos tranquilizadores
do álcool. Este, é usado com diferentes fins, entre
eles, para provocar o esquecimento ou para atenuar o
ódio, a ansiedade, a pressão ou o tédio.
Existem provas de que
o alcoolismo na mulher está frequentemente
relacionado com situações especificas da vida, como
o divórcio, a morte de um ente querido, as más
relações conjugais ou o ocultamento das necessidades
emocionais insatisfeitas: falta de amor, de
segurança de reconhecimento e de pertença.
A solidão da dona de
casa urbana é um factor que convida ao consumo do
álcool. Por outro lado, a mulher profissional que
tem que actuar no mundo dos negócios altamente
competitivo e onde é considerada inferior, não
obstante o seu êxito profissional, pode compensar
com o álcool ou com as drogas os sentimentos que
causam esta situação de competência injusta. Assim,
ao avaliar a situação não podemos limitar a pergunta
apenas ao que aconteceu à mulher mas a todo o meio
ambiente que faz com que ela se queira evadir da
realidade.
Um sério exame da
destruição da mulher em todos os países é
indispensável para uma compreensão mais adequada do
problema.
Alguns estudos
indicam que dois terços das mulheres estão ou
estiveram casadas com grandes bebedores e que mais
de 25% tiveram pais alcoólicos. O número crescente
de alcoólicos entre os adolescentes obriga a que nos
perguntemos acerca da influência que uma mãe
alcoólica exerce nos seus filhos, principalmente se
tiver em conta que a maioria das mulheres bebem no
lar, ao passo que os homens bebem, frequentemente,
nos lugares públicos, na companhia de outros. As
mulheres têm de ocultar os seus hábitos de bebida,
visto que num bom número de casos bebem no seu
domicilio que é o seu "posto de trabalho ". As
chamadas bebedoras " caseiras" podem ocultar o seu
problema, em certa medida, aos seus maridos, mas não
podem, ou não o poderão ocultar com tanta facilidade
aos seus filhos.
O alcoolismo das mães
tem efeitos negativos nos filhos que ainda se
encontram num estádio de desenvolvimento físico,
emocional e intelectual. Além disso, as grandes
bebedoras têm muito mais possibilidades de dar à luz
filhos com certas anomalias congénitas,
desenvolvimento retardado ou anormalidades várias
detectáveis mediante exame neurológico. O chamado
síndroma da embriopatia alcoólica (alcoolismo fetal)
pode provocar partos prematuros. Outro indício de
que as funções reprodutoras da mulher ficam
afectadas pelo forte consumo de álcool é o
reconhecimento de que as alcoólicas podem ter mais
defeitos ginecológicos e maiores taxas de
esterilidade do que as não alcoólicas.
A mulher,
principalmente na fase pré- menstrual, fica mais
sensível fisiologicamente ao álcool do que o homem.
Infelizmente, é precisamente nesse período que a
mulher bebe mais para atenuar a depressão. O fígado
da mulher acusa os efeitos do álcool mais depressa e
com maior gravidade que o do homem. Uma pesquisa
feita recentemente no hospital londrino revelou que
o número de alcoólicas com graves problemas de
fígado era maior do que o de alcoólicos, ainda que
as mulheres absorvessem menos álcool; mesmo assim,
as mulheres respondiam menos favoravelmente ao
tratamento e morriam mais jovens do que os homens.
Apesar das suas
graves consequências, o alcoolismo da mulher vai
crescendo. As admissões hospitalares para tratamento
do alcoolismo na Inglaterra e no País de Gales,
nesta ultima década, aumentaram cerca de 77% para os
homens e 137% para as mulheres. No mesmo período, os
falecimentos por cirrose aumentaram em 27% nos
homens e 64% nas mulheres.
As consequências
psicológicas e sociais do alcoolismo feminino são
extremamente graves. A mulher tende a assumir a sua
culpabilidade extrema. Interioriza a reacção da
sociedade acerca de si e com frequência, detesta-se
a si própria. Por sua vez, esta falta de respeito
próprio dá lugar a uma perda de identidade que só
agrava o problema.
A bebedora, muito
mais que o bebedor, é condenada por abandonar o lar
e os filhos; assim, quando a mulher é a doente, a
família corre um risco muito maior de decomposição.
Enquanto que nove em cada dez mulheres permanecem
com o seu marido alcoólico, nove em cada dez homens
abandonam a sua mulher alcoólica. As consequências
não são só devastadoras para a família, como também
para o processo de reabilitação da mulher. Esta fica
abandonada, carente do apoio emocional dos seus
entes queridos e muitas vezes sem recursos
financeiros suficientes.
A sociedade deve
aprender a considerar o alcoolismo como uma doença
social e física que carece de uma terapia
específica. Esta mensagem deve ser comunicada à
mulher alcoólica, que actualmente é um ser isolado
que não é comunicativo e que recorre a mecanismos de
defesa como a negação, a racionalização e a auto-
decepção para contornar maiores sofrimentos
psicológicos. A reabilitação não se faz de um dia
para o outro. Uma recuperação satisfatória exige, no
mínimo, dois ou três anos e abrange, no mínimo, a
totalidade da pessoa: o físico, o psicológico, o
emocional e o espiritual. O processo de reabilitação
da mulher deverá ter em conta a baixa auto- estima e
os elevados níveis de depressão e de ansiedade. A
reconstrução da auto- confiança deverá contemplar o
tratamento.
A generalização do
alcoolismo na mulher é um fenómeno relativamente
recente e para o qual se terá dado, até à data, uma
resposta muito insuficiente. O mais frequente é que,
quando o tratamento começa e mais precisa de ajuda
emocional, a mulher já foi abandonada pelo marido,
pela família e pelos amigos. É necessário ajudar a
mulher alcoólica para que conheça os seus talentos e
para que se considere um ser humano útil e capaz,
que tem poder suficiente para reconstruir a sua
própria vida.
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