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Conceitos
Básicos sobre Drogas
a) Porque é que as
pessoas se drogam?
As drogas modificam a
realidade das coisas. As drogas dão um prazer que
não pode ser programado nem controlado pela vontade
própria.
Estimulam, deprimem e
perturbam o comportamento do indivíduo,
alterando-lhes a realidade das coisas; a diversidade
de produtos proporciona-lhes variadas alternativas,
mas todas têm algo em comum: podem causar
dependência psicológica e ou física.
As razões porque as
pessoas se drogam, são variadas, mas há sempre
razões comuns que levam o indivíduo a consumir este
ou aquele tipo de produto tóxico, seja ele legal,
ilegal, solventes ou medicamentos.
b) A falta de
comunicação.
É um facto consumado
que as famílias estão "sobre ocupadas"; os empregos
ocupam os pais, totalmente, de manhã à noite. Temos
formas mais rápidas de fazer as coisas; temos
computadores, faxes, internet, televisão, etc... e
temos cada vez menos tempo para fazer o que é mais
importante.
c) A autonomia dos
jovens.
A indisponibilidade
das famílias levou à autonomia precoce dos jovens.
Desde tenra idade são "despejados" nos colégios e a
educação ficou à mercê de estranhos, da televisão e
uns dos outros. Cedo começam a tomar as suas
próprias decisões e a exigir o que não precisam, nem
lhes faz falta. Ficam à mercê da publicidade
subliminar escandalosamente influenciadora do seu
comportamento e da sua capacidade de decisão, ainda
em formação.
Sozinhos nas
decisões, proporcionam-se experiências de consumo
que lhes podem trazer. Prazer, no início, mas
consequências desagradáveis a curto, médio e longo
prazo.
d) Os grupos e a
necessidade do grupo.
As influências da
sociedade e a procura de identidade levam o jovem a
identificar-se com algo. Um estilo de música, um
estilo de vestir, um estilo de comer, um estilo de
andar... É a crise de identificação e a necessidade
de ter um "grupo".
Os pais não percebem
os riscos que o jovem corre. Não gostam da música
que ele ouve e não dão pela influência que está
directamente relacionada. Assim, depositam neles uma
confiança excessiva deixando para a escola e para os
amigos a educação que deveriam ser eles a
transmitir. O "fosso" vai ficando cada vez maior.
e) Desafios.
O jovem gosta de
experimentar o que não lhe é autorizado. Gosta de
dizer "sou capaz", "nenhuma droga me vai tornar
dependente". Na família, os pais diziam para não
fumar ou beber álcool, mas os pais fazem-no. Agora
que está mais crescido, porque é que o Pai pode
beber, a mãe fumar e ele não pode fumar um "charro"?
Só porque eles acham que faz mal? "Atão" não é
verdade que o álcool e o tabaco matam muito mais
gente?
Outras razões como o
stress, as influências culturais e de grupo são
também fortes motivos que levam as pessoas a tomar
drogas. O medo, a depressão, a solidão, a falta de
motivação para viver, o desemprego e inúmeras causas
levam as pessoas a um envolvimento com produtos que
proporcionam algum alívio, nem que seja por alguns
momentos, apenas.
O homem e o espiritual.
Desde cedo muitas
crianças mostram uma tendência para identificar os
seus pais como primeiro conceito de Deus. Em geral,
as crianças tendem a aceitar os conceitos da
religião formal, sem duvidar. À medida que se
aproximam da adolescência e começam a questionar a
autoridade de todas as coisas, podem revoltar-se
contra a Igreja, contra a Escola e contra a
autoridade dos pais. Outros adolescentes analisam a
religião de forma honesta, tentando encontrar uma
fonte de satisfação emocional e intelectual.
Experiências recentes
mostram que os adolescentes descrevem uma boa
consciência, como trazendo paz, alegria e
satisfação. Uma má consciência causa sentimentos de
culpa, inquietação, auto- reprovação, ansiedade,
medo, remorsos e auto- condenação. Os adolescentes
que sofrem de uma má consciência, são tentados a
isolarem-se socialmente, evitam contactos pessoais e
são mal humorados e irritáveis sem causa aparente.
Em geral, os sentimentos de culpa, conduzem o
adolescente a algum tipo de confissão, como um meio
de alívio emocional.
Um estudo recente
mostra que os adolescentes integrados numa Igreja,
apresentavam menos preocupações, são menos
introvertidos e demonstram um melhor ajustamento às
suas famílias, do que os descrentes.
O adolescente recebe
vários benefícios do ponto de vista emocional e
psicológico, com a sua integração numa igreja.
O sentimento de
perdão, libertação da culpa através da
confissão, a sensação de receber outra chance na
vida, são redução de tensão, são de grande valor
no ajustamento pessoal;
O aumento da
segurança que resulta da fé em Deus. A confiança
em Deus, previne o adolescente do desespero, a
crença na imortalidade, liberta-o do medo da
morte;
Tornar-se membro
de um grupo, dá um sentimento de pertença e a
possibilidade de construir outras identificações
positivas que contribuem para o bem estar e
ajustamento pessoal.
A religião (no
sentido vasto da palavra) pode, portanto ser um
factor importante de saúde mental, bem como a base
para uma filosofia de vida.
A história mostra-nos
como o homem se tem sentido insatisfeito consigo
próprio e com os outros ao longo dos séculos. A sua
ambição, guerras, desajustes sociais e drogas são
bem prova disso. Se o homem não tem um Deus,
inventa-o. Mas o facto é que dentro do homem existe
uma natureza que o leva a procurá-lo; consideremos:
Foi Deus quem
colocou esta necessidade no coração do homem.
Deus deseja ser "o objecto" da adoração do
homem.
Se as pessoas
não adorarem Deus, adorarão qualquer outra coisa
ou pessoa. Por exemplo: outro deus, outro homem
/ mulher, um ídolo, uma filosofia, dinheiro,
etc... (Ex.32:1-9.)
Deus quer que o
homem o adore. Para isso criou o Homem para que
pudesse ter comunhão..
Inconscientemente o homem procura algo
espiritual para adorar. (Actos 17:22-27)
A juntar a isto, há o
desejo interior de liberdade que o homem expressa
continuamente. Cada um tem o seu conceito de
liberdade. Quanto aos políticos, cada um tem o seu,
os religiosos têm o seu, os judeus também, mas Jesus
acha que só aquele que "O Filho liberta é que é
verdadeiramente livre". Jo. 8:32-36. E com o Plano
que Deus traçou para nós ficarmos bem...
Se recorrermos ás
origens, em Génesis, capítulo 1 verificamos que para
toda a criação Deus ordenou: "Produza a
terra..." mas quando chegou à ocasião de criar o
homem, olhou para si mesmo: "Façamos o homem,
à nossa imagem e à nossa semelhança..." Está provado
a nossa
dependência de Deus
porque fomos criados de acordo com a sua mais
perfeita vontade.
O que são drogas?
Noções e definições:
a) Tóxico
T óxico
é toda a substância que quando entra em circulação
no organismo humano produz reacções indesejáveis.
Assim, muitos produtos aparentemente inofensivos
podem ser considerados como tóxicos, em termos
gerais. Existem tóxicos que em condições normais e
em determinadas doses, não causam qualquer efeito no
nosso organismo mas não deixam por isso de se tratar
de venenos que não nos fazem qualquer falta.
b) Dependência
Alguns produtos
tóxicos determinam no nosso organismo, quando
ingeridos múltiplas vezes, um efeito de necessidade
de nova ingestão desse produto, sob pena de levar ao
aparecimento de sintomas estranhos (dores, febre,
ansiedade, etc.). A esta necessidade imperiosa de
ingerir um produto tóxico, chama-se dependência.
Consoante os diversos produtos tóxicos, assim a
dependência é física ou psíquica, que, como os nomes
indicam, correspondem a sintomas físicos (dores,
contracções musculares, diarreias, etc.) ou
psíquicas (ansiedade, angústia, etc.).
c) Habituação ou
tolerância.
A maioria dos
produtos quando consumidos de uma forma regular,
levam a uma necessidade de se aumentar a dose deste
produto, com o objectivo de se obterem os mesmos
sintomas desejáveis pelo utilizador. É a este
fenómeno que se chama habituação ou tolerância do
organismo. Depois de algum tempo de uso de
determinado produto, sem surtir os efeitos desejados
durante o mesmo período de tempo, o indivíduo é
levado a experimentar outro tipo de produto,
iniciando um novo ciclo de tolerância e habituação.
d) O
papel das endorfinas.
As endorfinas
circulam entre os neurónios, têm como finalidade
reduzir a dor e são fabricadas permanentemente. Se
fazemos muito esforço aumentarão em número e se
estivermos em repouso serão menos. Se fôssemos
privados das endorfinas todos os nossos movimentos
seriam acompanhados de uma intensa dor. As drogas
substituem as endorfinas e como tal o organismo
suprime a fabricação das mesmas uma vez que deixa de
precisar delas.
e) Ressaca ou
Síndroma de Privação
Os efeitos de
dependência e habituação de um produto tóxico,
provocam um fenómeno composto de um conjunto de
sintomas que se manifestam quando um organismo
dependente é privado do tóxico ou cessa o efeito
dele. Isto é, sempre que um indivíduo consome
regularmente um tóxico, para que não sofra estes
sintomas, necessita voltar a consumir assim que a
dose deixa de ter acção. É a este conjunto de
sintomas que se dá o nome de "Síndroma de
Privação", vulgarmente conhecido por "ressaca".
À semelhança do que se disse anteriormente, também a
Síndroma de Privação pode ser físico ou psíquico,
consoante o tipo de tóxicos.
f) Tipos de tóxicos.
Quando nos referimos
a produtos tóxicos, estamos só a considerar aqueles
produtos que são usados com o fim de obter efeitos a
nível físico ou psíquico, aceites pelo utilizador e
que ao serem tomados têm como objectivo produzir
prazer. Neste grupo de tóxicos, todos eles actuam ao
nível do SNC (Sistema Nervoso Central) produzindo
prazer mais ou menos intenso. Os produtos tóxicos,
têm, essencialmente, dois efeitos opostos no SNC:
• Depressão
Provocam depressão ou
diminuição da acção deste Sistema (efeito calmante
ou tranquilizante, também conhecido pelo efeito
drunf). Com estes tóxicos os consumidores buscam
prazer e bem estar ao estarem calmos, parados, sem
agitação, etc. Fazem parte deste grupo de tóxicos,
uma grande parte dos medicamentos ansiolíticos,
indutores de sono, haxixe, opiáceos como a morfina,
heroína e álcool (em doses elevadas), etc.
• Estímulo
Provocam desinibição
ou estimulação dos efeitos do SNC, ou seja, um
efeito vulgarmente chamado "speed". Estão neste
grupo medicamentos como as anfetaminas (medicamentos
para diminuir o apetite e emagrecer), alguns
medicamentos anti-depressivos, o álcool na sua fase
inicial, etc.
g) Tóxicos mais
frequentes
Os produtos tóxicos
mais frequentes consumidos em Portugal são:
• Tabaco
• Álcool
• Haxixe
• Heroína
• Cocaína
• Crack
• Comprimidos
Há comprimidos
estimulantes e depressivos do SNC. Não temos
qualquer dúvida que quer o tabaco, quer o café, quer
outros tóxicos que todos nós conhecemos, são
maléficos para o organismo, mas que a grande maioria
das pessoas consome.
Generalidades
O percurso para
chegar às drogas mais pesadas (ou duras) pode ser um
percurso longo e subtil. Tudo pode começar com um
inofensivo café, ou chá com cafeína. Depois vem o
uso ocasional do tabaco seguido do social; de
seguida o álcool, os solventes, o haxixe,
anfetaminas, cocaína e heroína.
Qualquer indivíduo
pode parar em qualquer patamar da escada. Menos de
metade das pessoas que bebem café ou chá irão
experimentar haxixe e destes, apenas uma
pequeníssima minoria (menos de 5%) chegarão à
heroína;
O que leva as pessoas
a tomar drogas cada vez mais fortes não são as
drogas em si mesmas, mas sim a personalidade do
consumidor, designadamente a sua curiosidade, a
capacidade de resistir às experiências, as suas
circunstâncias físicas, psíquicas, sociais,
económicas, etc., bem como ambiente em que vivem e o
meio social em que estão envolvidos; família,
escola, vizinhança, igreja, emprego, etc...
a) Resiliência
À capacidade que as
pessoas têm de resistir às experiências com
substâncias aditivas pode dar-se o nome de
resiliência, termo que vem da física e que se
resume no seguinte: "é a propriedade que os metais
têm de resistir a forças maiores ou menores sem se
deformarem, ou quando se deformam, têm a capacidade
de voltar à forma primitiva sem quebrar ou perderem
as suas propriedades ou identidade". Aplicado aos
indivíduos, é a capacidade que cada um tem (que está
associada a factores genéticos, à personalidade, ao
ambiente, à auto-estima, auto-imagem e
auto-conceito, etc.) e que pode ser, aprendida e
desenvolvida a resistir ao stress e a geri-lo da
melhor forma, conseguindo efeitos positivos e
duradouros. Todas as experiências que atravessamos
ao longo da vida afectam o nosso futuro e desta
forma a nossa "qualidade" de resiliência,
ajudando-nos a superar todas as dificuldades de uma
forma positiva ou não.
b) O consumo de
drogas.
As drogas legais e
culturais como o tabaco e álcool, podem ser mais
lesivas para a saúde da população, das famílias e
dos indivíduos em particular, do que as ilegais.
Poder-se-á então perguntar: porquê ter receio das
drogas ilegais? A resposta, tome ela que sentido
tomar, exige várias considerações:
O consumo das
drogas traz sempre riscos para a saúde. As
mortes causadas pelas drogas legais são
incomparavelmente muito superiores aos casos
fatais provocados pelas drogas ilegais. A
diferença está no impacto social, através dos
meios de comunicação social, que é provocado
pelo abuso de substâncias ilegais. O que é
ilegal capta muito mais as atenções das
populações e os "media" exploram e vendem isso
muito bem
As populações
não estão suficientemente informadas sobre as
consequências das drogas culturais. Não
conseguem colocar na balança o prazer e o bem
estar em confronto com as consequências. Aos
governos e aos "lobbies" não interessa ponderar
sobre os benefícios e os danos causados.
Algumas drogas
legais fazem as pessoas actuar de modo
irracional e descontrolado (tal como acontececom
o álcool). A inconsciência e a perda de controlo
podem tornar-se perigosas para o próprio e para
os outros;
O consumo de
drogas ilegais pode adicionar outros riscos para
a saúde por estarem muitas vezes contaminadas,
adulteradas ou impuras;
Os custos
relacionados com as drogas ilegais torna o seu
consumo incomportável para o viciado e
proporciona o crime e a violência individual
assim como organizações à escala internacional
que não olham a meios para atingir os seus fins.
O consumo destas
substâncias leva ao inevitável confronto com a
Lei e a consequente prisão agravando a
oportunidade do indivíduo ter um futuro saudável
e próspero. As experiências nas prisões para
qualquer pessoa são sempre desagradáveis.
Existem lacunas
graves na Sociedade quanto ao tratamento com
este tipo de consumidores que levam os
consumidores destas drogas a se sentirem- se
marginalizados pela família, pelos colegas de
trabalho, pelos vizinhos, etc.. Gera-se um ciclo
vicioso de segregação e auto exclusão sem
retorno.
c) A cafeína.
Ao abordarmos as
drogas em geral devemos considerar também as mais
inofensivas para podermos perceber onde tudo começa.
Aqui temos que começar pela cafeína, a qual é
utilizada por todos os grupos etários através do
chá, café, chocolate e de alguns refrigerantes, como
as colas. Estas drogas provocam um efeito
ligeiramente estimulante sobre o sistema nervoso
central. Alteram discretamente o humor, estimulam o
cérebro e diminuiem o cansaço. O excesso de cafeína,
em algumas pessoas, altera o sono, a capacidade de
concentração e a vigília, podendo iludir também a
necessidade de descanso.
Uma chávena de chá ou
café forte tem à roda de 100 mg de cafeína. Estas
quantidades variam com a qualidade das folhas de chá
ou dos grãos de café, com o tempo e modo de
torrefacção. Uma lata de refrigerante contém, em
média, entre 35 e 50 mg de cafeína. Qualquer dose
acima de 50 mg pode produzir alterações na pessoa,
mas é geralmente depois de 250 mg (duas "bicas" e
meia) que o efeito é mais evidente. Considera-se "cafeínismo"
a ingestão aguda ou crónica de mais de 500 mg/dia, o
que já pode dar efeitos secundários como agitação,
insónias, tremores musculares, dores abdominais,
fala apressada e por vezes, estados de ansiedade ou
pânico, depressão ou até esquizofrenia.
d) O álcool
Consideramos "droga"
toda a substância tóxica que proporciona estímulo ou
depressão e que gera dependência física e ou
psíquica. Assim, pelo que atrás foi exposto o café e
o chá podem ser considerados "droga". Ao álcool não
temos qualquer dificuldade em atribuir-lhe esta
nomeação porque é uma droga estimulante, depressiva,
tóxica e gera dependência. É a droga mais consumida
pelos jovens e pelos adultos e a segunda mais
mortal. Os efeitos mais nefastos do álcool são a
nível físico, como por exemplo cirroses hepáticas,
doenças do aparelho digestivo e também a nível
psíquico, provocadas pelo consumo prolongado de
álcool. As consequências a nível da percepção,
frequentemente causadas por alcoolismo agudo, são o
que todos conhecemos nas nossas estradas. As pessoas
não conhecem os limites de consumo que provocam
falta de reacção, misturam bebidas e não conhecem a
capacidade do seu organismo resistir à intoxicação.
Em Portugal as mortes directamente relacionadas com
o alcoolismo ascendem acima dos 8.000 casos fatais
por ano e na Europa mais de 200.000 mortes.
e) Tabaco
O tabaco é a segunda
droga mais utilizada. De facto, os resultados de
vários estudos permitem afirmar que, aos 16 anos:
• Um terço dos
adolescentes já experimentou o tabaco e vai
continuar a fumar;
• Um terço experimentou e já deixou, ou vai deixar
de fumar;
• Outro terço não experimentou.
O tabaco não altera o
comportamento imediato das pessoas, (tal como a
cafeína) pelo menos de forma significativa, mas é de
longe a droga mais mortal a longo prazo. Se deixar
de fumar enquanto é ainda jovem (o que não é fácil,
dado o carácter fortemente aditivo do tabaco -
semelhante, segundo alguns, ao da heroína), os
efeitos a longo prazo podem não se verificar. De
qualquer forma, seja com que idade for, é sempre bom
deixar de fumar porque as vantagens vêm a revelar-se
de muitas outras maneiras: melhor hálito, maior
economia, maior capacidade de praticar exercício
físico ou desporto, menor cansaço, etc.
O tabaco vitima todos
os anos mais de 800.000 pessoas na Europa e em
Portugal os números aproximam-se aos casos fatais de
álcool; mais de 8.500 por ano. Os países nórdicos
são mais afectados pelo consumo desta substância,
enquanto proporcionalmente os países do sul da
Europa são afectados pelo álcool; razões culturais.
f) As drogas ilegais
O Cannabis é a droga
ilegal mais utilizada, com cerca de 100.000
consumidores crónicos em Portugal. Seguem-se as
anfetaminas e as drogas "duras". Os efeitos, a longo
prazo, do consumo de cannabis, por exemplo em
relação ao aparecimento de cancro do pulmão, são
pelo menos tão perigosos como os do tabaco. É
considerada por alguns círculos legalistas como uma
droga "leve" que deveria ser despenalizada e
comercializada livremente. Pensamos no entanto que,
dado os seus efeitos psíquicos e características
aditivas, não é um produto que deva ser
disponibilizado livremente; os resultados na
condução de um automóvel por um indivíduo sob o
efeito desta droga não proporcionaria qualquer
segurança na estrada, a si mesmo e a terceiros.
O número total de
mortes devido ao consumo de drogas ilegais, tem
vindo a aumentar todos os anos em Portugal. Em 1995,
por exemplo, de acordo com os dados do Instituto de
Medicina Legal, foi de 196, sendo 147 devidas a
"overdose".
Devemos, no entanto
perceber que quando se fala de números e
estatísticas poderemos não ser exactos ou falsear a
gravidade do problema. Por exemplo, todas as faixas
etárias consomem álcool, mas são os mais jovens que
são vítimas de acidentes e violência enquanto os
mais velhos são vitimados por doenças relacionadas
com o consumo durante largos anos. Não poderemos
omitir, neste contexto, que o álcool, pelos seus
efeitos desinibidores e de agressividade, pode
proporcionar imoralidade e uma relação sexual com um
parceiro de risco, quer voluntariamente ou por
violência; aqui fica-se sem saber onde se deve
colocar a estatística. No caso do tabaco, um cancro
pode surgir num jovem, num fumador passivo mas
geralmente é em idade avançada que "se paga a
factura". Vítimas relacionadas com drogas são
geralmente consumidores jovens que tomaram uma
"overdose" ou o produto estava falseado. Doenças
indirectas como hiv/SIDA e outras doenças
infectocontagiosas activas ocorrem normalmente entre
pessoas relativamente jovens.
g) Drogas "leves" e
drogas "duras"
Ouve-se falar em
drogas "leves" e drogas "duras". Mas será que existe
alguma diferença entre elas? Será que umas são o
começo das outras? Ou não têm nada a ver umas com as
outras?
Uma forma de separar
"dura" de "leve" é considerar droga "dura", a que
gera uma dependência física. Contudo, "leve" não que
dizer "inofensiva" e a droga "dura" é a que gera
dependência, então o álcool é uma droga "dura". Se a
heroína sendo uma droga "dura", causa inúmeros
problemas, também o LSD e a própria cannabis (drogas
"leves") podem causar.
A perspectiva do dependente
Um consumidor de
drogas pára de crescer intelectualmente e fica com a
mentalidade que tinha quando iniciou os consumos. As
drogas travam o seu amadurecimento pessoal e por
vezes, indivíduos já com 40 anos continuam com
comportamentos típicos da sua adolescência. Dependem
dos pais afectivamente e as iniciativas são sempre
no sentido de fazerem escolhas supérfluas, como
comprar, por exemplo, uns ténis caros. Se mantém o
consumo de drogas o seu pensamento foca a
necessidade de encontrar dinheiro e se a opção é
arrumar carros, convencem-se de que estão a fazer um
serviço muito útil à sociedade. Se alguém não lhes
paga o serviço, é como se lhes ficassem a dever! A
sua autonomia nunca é conquistada. Interiorizam um
sentimento de que todos tem obrigações para com
eles; só eles estão certos. O pensamento do viciado
depende, no entanto, da fase de consumo em que se
encontra. Podemos distinguir três fases no percurso
do consumidor de drogas.
a) Fases de consumo.
• Primeira fase
Esta fase inicia-se
com o consumo quotidiano. Um "charro", uma pequena
dose de heroína ou cocaína chegam para uma "viagem"
ao "paraíso", uma vez que estas drogas provocam um
prazer muito forte e um grande bem- estar intenso.
Nesta fase tudo corre bem, dá prazer e é agradável.
Não há sintomas de ressaca. Não é preciso muito
dinheiro para as doses e em casa inventam-se umas
"tretas" e vai dando para as despesas.
• Segunda fase
Começam os sintomas
de ressaca e a necessidade de maiores doses aumenta.
O prazer já não é o mesmo e a dependência
instalou-se. A mentira já não "pega" e começam os
pequenos roubos em casa e na rua, porque a
necessidade de aumentar a dose é cada vez mais
forte. A maior parte dos toxicodependentes não pede
ajuda nesta fase.
• Terceira fase
Na última fase já não
há prazer no consumo. O indivíduo droga- se apenas
para não ter dores e para poder fazer a sua vida .
Toda a sua vida anda à volta de conseguir mais uma
dose. Deita-se a pensar em como obter a dose no dia
seguinte e levanta-se com o mesmo pensamento.
b) A perspectiva do
toxicodependente.
Em variados aspectos
a prespectiva do dependente de drogas ilegais é
coincidente também com a perspectiva do alcoólico.
Poucas diferenças separam ambos os consumidores.
Talvez a maior diferença seja aquela em que o
dependente de drogas ilegais consome para poder
fazer a sua vida, enquanto o alcoólico, se consumir
não consegue ficar de pé, ainda que que muitos
alcoólicos só conseguem trabalhar com a sua dose de
álcool.
1.
Não precisam de ajuda de
ninguém para
se tratar.
Entendem que
conseguem sair sozinhos. Procuram todos os escapes
para resolver o problema; ir de férias para a terra,
fazer a ressaca em casa, etc... não precisa de
psiquiatra porque não é maluco. São extremamente
desconfiados relativamente às instituições e quando
passam por uma experiência de fracasso dificilmente
retomam a confiança noutra instituição. A sensação,
que as drogas proporcionam, de que não precisam de
ninguém, contribui para este engano inconsciente.
2.
Um dia vou ficar bom.
É uma excelente
atitude mas quanto mais demora mais difícil se
torna. Os riscos de adiar a solução são imensos:
Acidentes, doenças infecto contagiosas, violência,
"overdose". O risco do toxicodependente permanecer
nas drogas é elevado e ele precisa de estar
consciente disso, mas as drogas não lho permitem.
3. C ontrolam
tudo e todos.
É comum entre os
toxicodependentes a tentativa de controlar os outros
através de:
• Manipulação
• Chantagem afectiva
• Divisão
Através da
manipulação procuram controlar a família de forma a
obter o que lhes faz falta. Utilizam os sentimentos
familiares para fazer chantagem e por vezes usam
promessas de que vão a uma consulta, inventando que
é preciso pagar, etc... A divisão familiar é também
uma arma que utilizam com grande sucesso. Com
habilidade tiram proveito da divisão da família
causada pelo problema.
Cruz Azul |