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O álcool e a responsabilidade Cristã

“Pois, o espírito que Deus nos deu não é para termos medo, mas sim para termos coragem, amor e bom senso.”
(II Tm. 1:7)    

Se um projecto de lei for apresentado ao parlamento para tornar legal a roleta russa, tenho a certeza que todos nós nos movimentaríamos na tarefa de impedir tal proposta. A roleta russa, caso você não saiba, é um conhecido jogo, um que se coloca uma munição, num tambor de uma pistola de seis tiros, deixando cinco vazios. Depois, você gira o tambor da pistola, sem olhar, coloca o cano da pistola na cabeça e puxa o gatilho. Para os indivíduos cansados, desesperadamente à procura de emoções fortes, isto é uma suposta solução. Você tem uma hipótese em seis para se matar, ou se preferir, cinco hipóteses em seis para viver. Isto soa a ridículo e qualquer tentativa para legalizar esta loucura seria impedida de imediato.

Porém, isto é exactamente o que está a acontecer com o problema do álcool! O uso do álcool é a forma de os Portugueses jogarem e roleta russa. Uma oportunidade em seis de perder a vida. Vamos olhar para as estatísticas!  É difícil obter números precisos em relação ao uso do álcool mas podemos aproximar-nos das conclusões que estamos à procura; há alguns números que são bastante precisos, que nos são fornecidos pelas autoridades ligadas a este campo de trabalho.

De acordo com os dados disponíveis de 1995 em Portugal mais de 70% dos portugueses são consumidores de bebida alcoólica. Destes, 700.000, são alcoólicos crónicos, dependentes e a necessitar urgentemente de tratamento e corresponde a cerca de 10% da população; os casos fatais ascendem a mais de 8.000 vítimas por ano, sendo a 4ª causa de morte em Portugal. Depois, temos ainda mais de 1 milhão de bebedores excessivos.

Entre o meio estudantil, temos mais de 60% que abusam ou usam regularmente bebida alcoólica; destes, 2/3 correm sérios riscos de se tornarem álcool-dependentes ou dependentes de outras drogas. Dados oficiais (World Drink Trends) confirmam ainda a tendência do aumento de consumo de cerveja, especialmente entre as camadas mais jovens. Na sequência, e de acordo com a realidade presente, um consumidor em cada seis, torna-se alcoólico crónico. Estremecemos só de pensar na legalização da roleta russa que dá uma razão de 16% de chances de suicídio mas não nos preocupamos nem um pouco com a realidade nacional que motiva mais de 20% de suicídios entre os consumidores excessivos de álcool!

O problema do álcool é excessivamente grave no nosso País. É o principal problema social e económico das famílias Portuguesas! Não quero desperdiçar o seu tempo com mais números, porque você já os ouviu mais de que uma vez, mas, de forma a colocar em ordem o assunto numa verdadeira perspectiva, e para desafiá-lo com a responsabilidade que nós enfrentamos como cristãos, devemos situar o problema para o enfrentarmos. Não tenhamos medo do problema porque como o nosso texto diz: “Deus não nos deu um espírito de medo, mas de poder e amor e uma mente sã.”

O problema.

O problema do vício do álcool é tão velho como o mundo. A história da bebedeira de Noé e o horrível crime perpetrado por Lot quando estava sob a influência do álcool demonstra esta verdade. O Velho Testamento está cheio de referências contra o uso do álcool.

“O vinho torna o homem arrogante; as bebidas fortes incitam-no ao distúrbio; quem a isso se entrega nunca será sábio.” (Pv.20:1) “Ai de quem dá a beber aos vizinhos vinho misturado com veneno, para os embriagar, com o fim de os ver nus e os humilhar” (Habacuque.2:15) e no Novo Testamento “Nem bêbados...entrarão no Reino de Deus”... e na figura a respeito do Céu lemos que “Sem ser... beberrões.”

Nestes tempos modernos encontramos o problema intensificado. Apesar de todos os esforços para ajudar os álcooldependentes; em face dos milhares de euros gastos na recuperação, com psicólogos e psiquiatras investindo em esforços intensivos, o problema cresce todos os anos. Depois da afirmação tola do conhecido ditador Português que dizia: “Dar a beber vinho é alimentar um milhão de Portugueses”, continuamos, três décadas depois, a assistir impávidos e serenos à desgraça contínua de milhares de famílias, à criminalidade, violência no lar, abusos sexuais de menores e demasiados acidentes na estrada directamente relacionados com o consumo excessivo de álcool.

Nas escolas Portuguesas, um estudo recente confirmou, que nalgumas escolas o uso do álcool excede os 90% dos estudantes e que os mesmos vão para as aulas alcoolizados, sendo que, alguns deles vão neste estado, depois de tomarem a sua primeira bebida em casa sob o consentimento dos seus próprios pais!

O custo que problema causa às industrias ultrapassa as imaginações: acidentes de trabalho, falta de precisão e quebra de produção, seriam razões suficientes para levar patrões e chefes de departamento a proibir o consumo de álcool nas suas empresas. Em Portugal, é frequente ver o problema atingir gravemente as forças militares e de segurança pública. É frequente encontrar os próprios agentes de autoridade durante o desempenho das suas funções e em serviço no exterior, a frequentar bares e marisqueiras, demonstrando total falta de responsabilidade e bom senso.

Em Portugal são poucas as empresas que procuram sensibilizar os seus trabalhadores para o problema e ficam seriamente comprometidos nos seus empregos, os que são apanhados nas malhas deste terrível vício. Ainda, faz-se sentir nos currículos de medicina de clínica geral, intensa formação sobre as consequências do álcool; aliás são os próprios estudantes, incluindo os de medicina, que nas festas de “queima das fitas” dão um péssimo exemplo à sociedade.

Os meios de comunicação social contribuem minimamente para a informação do público; são raros os programa televisivos que informam sobre o grave problema do álcool. Por o consumo não ser penalizado, logo não é uma questão mediática, e os que sofrem, sofrem em silêncio. No inverno de rigoroso de 1997, várias televisões do mundo transmitiram o facto de que no jardim zoológico de Moscovo, tiveram que dar vodka aos elefantes para estes aquecerem...!!!

Noutra ocasião, um canal privado de televisão Portuguesa transmitiu num noticiário, a seguinte expressão de um jovem: “não se metam nas drogas, bebam antes uns copos!”, ou então a afirmação ingénua e desconhecedora, de um antigo Sr. Primeiro Ministro da República, António Guterres, que disse aos estudantes em determinada escola que “uma pequena quantidade de vinho faz bem à saúde...”

Estes factos tão simples só nos levam a perceber que há de facto muito trabalho para fazer.

De que modo o problema do alcoolismo afecta o governo? Em primeiro lugar, parte dos nossos impostos é destinado a reparar os malefícios causados pelo álcool. Mas há outro factor. Até que ponto os funcionários públicos, que nós pagamos através dos nossos impostos, são afectados pelo álcool nas suas funções, é difícil descobrir.. O que nós sabemos, por exemplo, é que em Lisboa existem mais de 128.000 alcoólicos crónicos e mais de 217.000 bebedores excessivos.

Consumo excessivo Ou dependente de álcool 

Distritos

Doentes alcoólicos

Bebedores Excessivos

Aveiro

59.760

80.390

Beja           

13.460

7.700

Braga

65.380

87.920

Bragança

17.470

19.900

 Castelo Branco

24.550

30.940

Coimbra

41.970

55.630

Évora

14.170

7.870

Faro

27.760

15.420

Guarda

21.120

26.370

Leiria

39.780

53.520

Lisboa

128.130

217.520

Portalegre

11.100

6.170

Porto

95.300

179.020

Santarém

36.860

32.810

Setúbal

47.040

71.910

Viana do Castelo

23.020

30.960

Vila Real

25.420

31.730

Viseu

43.190

53.910

Total

735.470

1.009.660

Dados de 1996 – Associação Portuguesa de Medicina de Adição

As pressões.

Em poucas palavras gostaria de mencionar algumas das pressões trazidas por aqueles que nos querem defender o seu negócio.

Pressão número um:

Necessitamos dos impostos pagos pela indústria do álcool!

Precisamos? Está comprovado que os custos hospitalares para reparar os danos causados são bastante mais elevados que os benefícios fiscais. Some ainda prejuízos relacionados com a criminalidade, violações, pobreza familiar e doenças mentais causadas directamente pelo consumo de álcool.

Pressão número dois:

A indústria do álcool gera emprego!

Que argumento pode ter tal afirmação se os desempregados por este motivo são extraordinariamente mais elevados. E os “sem abrigo” que estão na rua por causa do álcool?

Pressão número três:

A penalização não resulta.

E a liberalização? Quem se preocupa com o excessivo consumo de álcool nas escolas públicas e privadas. São conhecidos os extravagantes e caros anúncios para vender bebidas alcoólicas a menores influenciáveis. Recentemente uma industria de álcool apelava a “uma selecção para ganhar”; noutras ocasiões são as industrias de álcool a patrocinar equipas de futebol. A inconsciência dos nossos governantes nesta matéria excedeu todos os limites. Não seria possível imaginar que confrontados com tão graves problemas de álcool na nossa nação, fosse possível chegar direccionar as campanhas de álcool para menores, os quais estão no pleno desenvolvimento das sua aptidões, sendo necessário incutir-lhes um estilo de vida saudável e não, uma tal displicência sem controlo.

As companhias de álcool sabem que para perdurar o seu negócio terão que ganhar os adolescentes. Eles também sabem que os alcoólicos crónicos vão morrer ou deixar radicalmente de beber; é preciso substituir estes ex-consumidores!

Pressão número quatro:

Todos bebem. Deve-se servir bebidas ou não será socialmente aceite!

É aqui que muitos membros nas Igrejas se deixam envolver! Nem todos bebem! Havia uma série de artigos no Chicago Daily News escrito a respeito de um homem cuja filha foi morta por um atacante no seu apartamento em Nova Iorque. Esta série servia para mostrar como as raparigas se deveriam proteger a si próprias quando estavam longe de casa. O escritor dizia: “Observa a tua bebida. Beber moderadamente pode ser um dos prazeres da vida; beber imoderadamente um dos piores perigos”. Isto é realmente jogar à roleta Russa. Cada bêbedo já foi um bebedor moderado. Jim Brosnan, antigo jogador de basebol, agora escritor, perguntou-me num programa de televisão, se lhe poderia dizer, baseado em pesquisas psiquiátricas, quantos Martinis seria demasiados para ele. Respondi-lhe: “Jim, um, são muitos” e quando ele perguntou “porquê?” respondi, “Se não beberes nenhum, não precisas de preocupar-te acerca de quantos.”

Pressão número cinco:

“Alcoolismo é uma doença como qualquer outra: ao alcoólico nunca se deveria assumir que é um pecador; nunca deveria ser criticado; o alcoólico nunca deveria ser tratado como um pecador ou um fracassado moral”.

Esta é uma das pressões mais mortais. À luz de Gálatas 5:19-21 é uma falha real. Para esta passagem de Paulo, o alcoolismo lista entre adultério, assassínio, idolatria, bruxaria e outras “obras da carne”; e continua dizendo “os que fazem tais coisas não entrarão no Reino de Deus.” Esta “defesa” de que “o alcoolismo é uma doença como cancro, tuberculose, escarlatina e etc...” é muito popular entre os alcoólicos. Dá uma certa respeitabilidade ao hábito vicioso. Agora, de onde veio esta ideia e como se propagou tão extensamente? Foi através da “Yale School of Alcohol Studies” que agora se fixou na Universidade de Rutgers. E quem foi o grande financiador que cobriu os custos de “Yale School of Alcohol Studies”? Industrias de cerveja e de bebidas destiladas.

O vício do álcool é completamente diferente da escarlatina, câncer ou tuberculose. É uma doença auto infligida que é o resultado do consumo regular e abusivo de álcool. Ninguém se tornará alcoólico, a menos que tenha tomado a primeira bebida. Ninguém se torna alcoólico sem fazer um esforço para o ser. O alcoolismo não vem através de nenhum germe ou vírus. A precipitada exposição dos crentes a este erro e reconhecer o vício do álcool tal como ele é, é o melhor que faremos. Agora, estamos prontos para concordar que é uma doença – da alma; do corpo e da mente, causada por uma vida de pecado. Apesar de tudo, e do que os peritos lhe chamem – a razão básica é o pecado.

A nossa responsabilidade cristã.

Sendo o medo de fracassar uma causa comum para o alcoolismo, precisamos de nos voltar para Deus e para as suas respostas. “Deus não nos deu um espírito de medo, mas de poder e amor e uma mente sã” certamente que a comparação é bastante óbvia. Medo contra a mente sã! O alcoólico, a sua mente despedaçada, o corpo destroçado, incapaz de controlar acções, corpo ou palavras, e uma mente sã. Há apenas Um que pode dar amor e uma mente sã – O Senhor Jesus Cristo. Isto coloca-nos o problema de onde deveríamos estar! Nas mãos de Deus!

Necessitamos de enfrentar os factos e a responsabilidade que são nossos como cristãos. Na palavra de Deus há mais de 160 versículos Bíblicos que falam contra a embriaguez. Muitos mais dos que os que falam contra o roubo, orgulho, adultério, hipocrisia e outros pecados. A Palavra de Deus é verdadeira e desde sempre diz que o meu corpo “é o templo do Santo Espírito”. Eu tenho a solene responsabilidade de guardar que esse corpo puro e santo em todas as áreas da vida. O que coloco no meu corpo é tão importante como o que faço com ele. O que faço com a minha mente é igualmente importante. Deus deu-me essa mente e eu estou sob um compromisso para com Ele. Quando autorizo coisas a entrar no meu corpo que me afectam a mente, então eu estou a violar a Lei e os Mandamentos do Senhor Deus Jeová. A Palavra diz “Recompensa-os segundo as suas obras, segundo a maldade dos seus actos. Retribui-lhes conforme as suas más acções; dá-lhes o que eles merecem.” (Salmo 28:4) Também tenho responsabilidades para com outros; a Palavra diz, “Mas tenham cuidado! Que esta liberdade a que têm direito não seja ocasião de pecado para os mais fracos... Portanto, se o facto de comer dessa carne leva o meu irmão a pecar, nunca mais volto a comê-la, para não ferir a sua consciência”. (ICo.8:9,13)

Eu firmemente acredito que a resposta para o problema do álcool encontra-se na:

Abstinência total

Através dos séculos a “chamada” moderação tem sido tentada. Hoje o alcoolismo é mais predominante do que nunca antes. Uma coisa é certa: Aquele que é totalmente abstinente nunca será viciado em álcool! O ponto alto da postura cristã neste assunto está apenas na – abstinência total.

Dr. Wiliiam Seath
(Adaptado. Os pontos de vista deste autor foram respeitados. Todas as referências a Portugal foram introduzidas por nós)

 

 

 

 

 


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