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06.
Comportamentos irresponsáveis. Hoje em dia estamos rodeados de excelentes técnicos e investigadores na área do alcoolismo e outras dependências tóxicas. É fácil de perceber que as suas conclusões convergem
unanimemente no sentido de reconhecer que, há uma excessiva ambiguidade em relação à intervenção nesta questão. É reconhecida a gravidade da influência crescente do álcool nos jovens, mas a passagem à acção peca pela falta de decisão. A existência dos conhecimentos para agir e a não utilização dos mesmos é um factor
de sub-desenvolvimento! A propaganda dos benefícios do vinho para o coração continua a alimentar os lucros das industrias do álcool provocando conceitos errados na opinião pública, além do que, o
organismo humano dispensa totalmente o álcool e, a ingestão do mesmo, não é essencial para a saúde. A quantidade máxima de álcool que o ser humano pode ingerir, de acordo uma prestigiada autoridade na matéria que é a OMS, é 16g/dia para as mulheres e 24g/dia para os homens, ou
seja, pouco mais do que um copo de vinho ou uma cerveja a cada refeição, se não houverem contra-indicações, como por exemplo: ter menos de 18 anos, conduzir máquinas, estar grávida ou amamentar, ter tido um passado alcoólico e estar a fazer um tratamento com psico-fármacos. O consumo de álcool a partir dos 50-60 anos também
deve ser reduzido substancialmente. Verificamos que para além dos alcoólicos crónicos, que são em número excessivo no nosso país e que causam à sua volta os dramas já conhecidos, está a formar-se um outro grupo
que precisa de vigilância e intervenção primária urgente, os quais, são os consumidores ocasionais – principalmente – os jovens. Os jovens estão a desenvolver comportamentos de risco cada vez mais maiores provocando danos irreversíveis neles próprios, através de, acidentes, danos cerebrais e orgânicos, doenças
infecto-contagiosas, crimes e gravidezes indesejadas. A associação “álcool – adrenalida”, cada vez mais em voga, leva os jovens a comportamentos de risco na estrada, protagonizando diversas habilidades de risco, para eles e para os
inocentes que se cruzam no seu caminho. A questão da cultura vinícula deixou há muito de ser um factor desculpabilizante dos danos causados pelo excesso de álcool no nosso país, passando a ser claramente as alterações
sociais que se tem modificado nos últimos tempos, como o aumento do poder de compra, a publicidade agressiva, e a progressão dos mitos populares como o “álcool faz bem à saúde, aquece, dá força... etc..”
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