07.  Os filhos dos alcoólicos.

Os problemas dos filhos dos alcoólicos começam em muitos casos na gravidez. Contrariamente ao que seria correcto, muitas mulheres começam a beber durante a gravidez influenciadas pelo mito de que “o álcool dá força”. Ora, como na verdade não dá força, antes é causa de sub-nutrição, a consequência fatal, é geralmente o Síndroma de Alcoolismo Fetal (SAF) e mortalidade.

Estas crianças nascem com graves e irreversíveis lesões cerebrais, deficiências congénitas faciais, deficiências nos órgãos vitais, nos órgãos genitais externos e membros exteriores, como a falta de dedos ou mesmo sem mãos ou pés. Durante a amamentação também não deve ser ingerida qualquer quantidade de álcool uma vez o etanol irá misturar-se com o leite e consequentemente provocar os danos já conhecidos.

As consequências na infância, adolescência e vida adulta também são dramáticas para os filhos dos alcoólicos. Maus tratos físicos e psíquicos, negligência, violações e crimes são a realidade que afectam diariamente os que vivem estes dramas e preocupam apenas mais algumas pessoas, que de uma forma quase heróica e por vezes imcompreendida, resistem a conformar-se com esta situação.

A infância caracteriza-se pela ausência do pai/mãe, ou pela sua presença alcoolizada e/ou tumultuosa. A criança adquire autonomia precocemente e um instinto de sobrevivência que mais tarde trará também as suas consequências pela falta de um crescimento equilibrado e saudável.

A falta de referências e de afectividade alterar-lhe-á o seu comportamento social e até a sexualidade, abrindo o caminho para uma variedade de escolhas impróprias para a sua idade e definitivamente erradas para o seu futuro.

Os traumas perduram até à vida adulta. Homens e mulheres de meia idade sentam-se diariamente nas cadeiras dos psiquiatras e psicanalistas perturbadas pela falta de afectividade, que em tempo oportuno lhes foi negada.

Conclusões do
XII Curso de Formação Pós-Graduação em Alcoologia e
III Congresso da Associação de Portuguesa de Prevenção do Alcoolismo
Por Samuel Dias
Director Executivo da Cruz Azul de Portugal